Antártida 2025/6

Foram os livros que primeiro me levaram ao continente do fim do mundo. Descobrindo que a exploração deste continente gelado tinha tido o seu auge no mesmo século em que nasci – com registos reais, recentes e disponíveis de exploradores como Shackleton, Amundsen ou Scott, mas também através de diários de pessoas que fizeram parte das suas tripulações.

Tripulacoes feitas de cientistas, carpinteiros, militares, escuteiros, marinheiros e curiosos, muitos relataram as suas viagens em livro. A bibliografia de exploração Antartida é rica e vasta – desde biografias a relatos de desespero e de aventura – sempre com a sobrevivência como o principal objectivo.

Quanto mais lia mais queria visitar este sitio. Por si só inospito, um deserto, o maior deserto na terra, o mais frio, ventoso e seco. A viagem para lá chegar passando pela América do Sul, pela patagônia e Sul da Argentina (ou Chile, dependendo da rota), a passagem do Drake, mesmo ao lado do Cabo Horn.

Embora seja possivel viajar pela Antartida, visitando grande parte da peninsula atraves de navios de cruzeiro em expedicoes de 9 a 20 dias, o meu desejo era experimentar o continente mais perto – se possivel ficando por um periodo longo, observando tudo. Os animais, pinguins, focas, aves, peixes e baleias que la passam ou habitam. Ouvir os sons, destes animais, das mares, dos glaciares e dos icebergs que se partem e viram na agua. O vento, que frequentemente ultrapassa os 50 (Beaufort diria que se trata de um temporal/forca 9). A neve que fere quando nos atinge trazida pelo vento. A unica possibilidade de experimentar tudo isto era simplesmente imigrar. Novamente, mas desta vez temporariamente. E assim rumei a Sul, ate ao fim do mundo, para ficar em Goudier Island durante 5 meses.

Enquanto aqui estou, e ao fim de quase 2 meses, comeco a sentir que cada dia e menos um dia – um dia a menos nesta maratona de 5 meses. Sera que e a ultima vez que vejo uma baleia de bossa? Ainda vou ver outra tempestade? Como quero garantir que cada visualizacao e mais uma e nao a ultima, passo todos os minutos possiveis la fora, por vezes ao Sol, muitas vezes ao frio, raramente aborrecido, quase sempre surpreendido.

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Sempre dia